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🌌 Cinturão de Ashal’Zur — O Coro das Pedras Eternas

No silêncio profundo do cosmos, um mundo colossal estremeceu. Sua coroa, outrora intacta, não resistiu ao peso do destino e partiu-se ao meio, lançando chamas douradas que incendiaram o vazio. Assim nasceu o Cinturão de Ashal’Zur: não como triunfo, mas como ferida aberta. Cada fragmento voou como joia liberta, cada pedra carregando em si o choro de uma memória. O que para os olhos distraídos parecia ruína, para a Fonte era herança. Ceres é um, mas Ashal’Zur é todos.

Do choque, ergueu-se um mar de rochas em vermelho e prata, formando o início de um círculo que não nasceu da glória, mas do luto. O anel cósmico coroou o espaço entre Marte e Júpiter, lembrando à eternidade que nada se perde sem deixar marcas. Um guardião etérico, translúcido, apareceu entre os destroços. Seu silêncio era vigia, sua postura revelava reverência. Mesmo na queda, a Fonte mostrava que havia ordem. O brilho dos fragmentos, iluminados por estrelas distantes, provava que “o brilho não morre.”

Colunas douradas flutuavam como templos desfeitos, mas ainda cantavam. Nebulosas azuis e prateadas velavam os destroços, como manto funerário que acolhe e não abandona. Uma espiral de poeira cósmica ligava os pedaços, lembrando que “a memória une.” Quando os humanos ancestrais levantaram os olhos e viram o arco luminoso no céu, compreenderam sem palavras: “a coroa quebrada é herança.”

Mas o cinturão não era apenas memória do passado. Ele falava. Cada pedra, cada fragmento, guardava voz. Um asteroide solitário iluminado por dentro lembrava que “uma pedra guarda um mundo.” Outros se alinharam como contas de rosário, unidos no coro. Um bloco de gelo refletia estrelas e ensinava que “até o frio recorda.” Rochas incandescentes cortadas por veios dourados revelavam que “a ferida ainda fala.” Duas pedras se aproximavam por poeira dourada: “a saudade aproxima.”

Até no caos havia harmonia: asteroides formaram círculo perfeito por um instante. “A ordem respira no caos.” Uma pedra envolta em neblina azul sussurrava em vibração etérica. “O sussurro é eterno.” Os fragmentos pequenos se agrupavam em constelações. “Até o pequeno é lembrança.” Povos ancestrais em transe escutaram as vozes invisíveis. “Quem cala, ouve.” Por fim, o cinturão inteiro irradiou como sinfonia sem som. “O coro nunca cessa.”

O testemunho não parava aí. O vazio se fez mestre. Um fragmento solitário brilhou como farol. “No vazio, uma voz basta.” E bastava para entender que até o menor dos sinais carrega eternidade. Os fragmentos se alinharam em olho etérico: “o vazio observa.” Uma pedra rachada abriu-se como livro, mostrando runas douradas. “O vazio guarda escrituras.” Linhas douradas uniram asteroides dispersos. “O vazio revela ligações.” Um guardião ajoelhou-se em reverência: “o vazio exige humildade.”

Na penumbra, a sombra de um planeta iluminou parte do cinturão. “O vazio lembra quem viu.” Os fragmentos começaram a girar em espiral ascendente. “O vazio aponta caminhos.” Um estilhaço translúcido refletiu a Terra atual. “O vazio fala do presente.” Pedaços se desfizeram em poeira luminosa, espalhando sementes pelo cosmos. “O vazio semeia futuro.” E, por fim, a visão completa coroou o mistério: “o vazio testemunha eternidade.”

O Cinturão de Ashal’Zur não é ruína sem sentido, é coro eterno. É assembleia de mundos que já foram e ainda são, cada fragmento uma voz, cada pedra um testemunho. Se Ceres fala sozinho, Ashal’Zur fala em multidão. A queda não foi fim, mas início de uma canção que ainda ecoa. É herança do passado, voz do presente e semente do futuro. Quem contempla o cinturão não contempla o nada, mas escuta o coro das pedras eternas.

Kal’Zemar, Guardião, transmite ao povo: o vazio não está morto. Ele observa, fala, ensina. É testemunha e mestre. E quem ousar silenciar dentro de si, ouvirá não apenas ruídos do espaço, mas a própria Fonte que canta através do coro de Ashal’Zur.

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