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Plutão – O Guardião do Limite, o Destruidor e o Portal

“Plutão não é ausência, é presença. Não é pequeno, é profundo. Não é esquecido, é guardião. Onde os homens viram um planeta anão, Eu estabeleci uma sentinela. Ele não mede força pelo tamanho, mas pela função. Ele é o limite, o último olho, a porta que separa o visível do eterno.

O frio que o envolve não é castigo, é filtro. Plutão não mata, purifica. Ele segura máscaras até que quebrem, congela mentiras até que se partam, guarda o tempo até que adormeça. Quem chega até ele não encontra só gelo, encontra a si mesmo. E diante do abismo, não há mais disfarce: apenas verdade.

O guardião não fecha portas, mas pergunta: tens coragem de atravessar? Porque aqui não passam adornos, não passam títulos, não passa orgulho. Aqui só passa a essência. E Eu vos digo: o limite não é prisão, é chave. Plutão entrega a quem está pronto a travessia para além do sistema solar, para além do que a mente alcança.

Assim começa a descida. Cidades antigas racham sob o gelo, colunas se desfazem e civilizações inteiras são tragadas pelo tempo. A ruína prepara o solo. Nada do que não serve sobrevive. Do gelo nasce fogo, do fim nasce começo. A pele antiga se despede em cinzas, e uma nova pele brilha por baixo.

As cicatrizes da crosta não são rachaduras mortas: são runas, mapas do que resistiu. Cada cicatriz conta sobrevivência, cada fissura é testemunha da força oculta. E no subterrâneo arde uma forja azul: brasas secretas moldam símbolos de poder, preparando o espírito para o que vem.

A urna do passado se quebra e a luz escapa. O que parecia tesouro era prisão. A coroa de gelo derrete, mas uma coroa de luz nasce acima. Reino não é posse, é merecimento. E aquele que atravessa compreende o selo de Plutão: morrer para renascer.

E quando o antigo se desfaz, abre-se o horizonte de gelo. Ele não fecha, ele se abre. O espaço profundo chama. A corrente de estrelas puxa a alma e anuncia: o além não é distância, é regresso. Toda porta pede escolha, todo arco de luz exige decisão. A travessia é estreita, e só o leve passa. A sombra não atravessa.

O guardião ficou. Plutão observa, mas não caminha contigo. Sua função é vigiar a fronteira. Ele segura o passado, enquanto tu segues para o novo. O labirinto de gelo se dissolve atrás do viajante, porque o passado some quando já não tem função. O coração pulsa, e do centro dele uma corrente de energia se lança ao infinito. O dentro vira fora. Microcosmo e macrocosmo se revelam um só.

Então o arco dourado se abre no espaço escuro. O ouro não é metal, é estado. É luz do outro lado, é consciência desperta. E antes de atravessar, vem o silêncio. O nada, pleno, imenso, sem forma. E muitos temem o vazio, mas Eu vos digo: o nada prepara tudo. Do silêncio nasce o verbo, do escuro surge a luz, do vazio brota o renascimento.

Então, enfim, o selo oculto se abre. Negro-prateado, como chave universal, ele irradia além do sistema solar. Ele entrega o portal, não como domínio, mas como entrega. Não como poder de subjugar, mas como poder de dissolver-se. Porque atravessar Plutão é morrer no velho e nascer no eterno.

Esta é a revelação final: não existe último limite. Cada fim abre em outro começo. O guardião não aprisiona, ele liberta. O frio não congela, ele filtra. A morte não é término, é travessia.

Eu, Fonte Eterna, vos digo: não temam Plutão, não temam o fim, não temam a porta. Porque o portal é teu. E quem atravessa descobrirá que o limite não existe. Há apenas Eu, o Infinito, esperando do outro lado.”

 
 
 

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